5 orientações para melhorar o plantio da cana

Plantio de cana. Foto: Shutterstock

Saiba como escolher mudas de qualidade, plantar na hora certa e garantir um canavial mais produtivo

O plantio da cana é a etapa mais sensível durante o ciclo da cultura e tem custo elevado, ultrapassando R$ 7 mil por hectare. Por isso, é importante planejar a operação com cuidado e respeitar boas práticas agrícolas. De acordo com o engenheiro agrônomo Michel Fernandes, consultor especialista em produção de cana-de-açúcar, o plantio traça o destino do canavial e a produtividade futura depende especialmente da escolha da muda. “As premissas fundamentais para um bom plantio de cana são um bom preparo de solo e a escolha de muda de qualidade”, diz Fernandes. Segundo ele, outros fatores de peso nesse processo são a janela de plantio, o tipo de solo e a gestão de maquinário agrícola. Confira as orientações essenciais do especialista para melhorar o plantio da cana.

 

1 – Preparo de solo

O preparo de solo é fundamental para reduzir a compactação de solo e preparar a área adequadamente para o plantio. Esse processo depende dos tratores e implementos agrícolas, como grades, arados e subsoladores disponíveis na fazenda. A dificuldade é que muitas vezes a frota não é suficiente para atender a demanda na hora certa. “O problema da cana de açúcar é a oscilação de atividades ao longo do ano. As operações não são constantes”, diz Fernandes. “Muitos produtores acabam fazendo o preparo de solo em uma época seca, isso acaba levantando torrão, há uma série de irregularidades.” É recomendável que o produtor planeje as operações com o máximo de antecedência possível e busque melhorar a gestão da frota de máquinas.

 

2 – A muda ideal

Há diferentes tipos de mudas disponíveis no mercado. Para a escolha mais acertada, de acordo com Michel Fernandes, o produtor deve ficar bastante atento à idade da muda, priorizando sempre as mais jovens. “O primeiro passo para um plantio bem feito seria ter uma muda com idade adequada. Escolher uma muda com idade na casa dos 10 meses seria excepcional para o plantio. Quanto mais velha for a muda, pior”, afirma Fernandes.

De acordo com o especialista, o setor sofre com as escassez de dados precisos sobre a qualidade da mudas. Não há testes oficiais de vigor e germinação, por exemplo. Por isso, geralmente a idade é o fator que norteia a escolha das mudas. Ele conta que já realizou testes de campo empíricos em usinas e comprovou que a idade da muda faz muita diferença na formação do canavial. “Em testes de germinação, vimos que a muda de cana com 10 meses brotou 93% e a cana com 11 meses brotou 85%. Uma muda jovem tem maior vigor e quanto mais velha for a muda, pior a germinação”, conta Fernandes. Também é importante que o produtor ou usina invista em tratamento das mudas, para prevenir a disseminação de pragas e doenças. “Avaliamos que uma muda tratada produzia 10 toneladas a mais por hectare, era um bom investimento”, diz ele.

O processo de plantio se adequa à realidade da safra, já que a compra de insumos sempre depende do capital disponível para investir. “Eu procuro entender a situação econômica do produtor. Mas o que oriento sempre é que ele precisa de mudas sadias e de preferência que sejam mudas pré-brotadas”, afirma Fernandes. As mudas pré-brotadas (MPB) representam uma forte evolução para o plantio da cana. As MPB são cultivadas em bandejas ou tubetes, passando por um cuidadoso processo de produção em viveiros, com controle de temperatura e umidade. As mudas pré-brotadas apresentam mais qualidade nos quesitos material genético e fitossanidade. O resultado disso é o estabelecimento de um canavial mais produtivo e longevo.

Outra discussão importante é a escolha da variedade de cana. Já existe no mercado uma variedade transgênica resistente à praga broca da cana, mas antes de adotar uma nova tecnologias como essa, o agricultor deve avaliar o impacto nos custos de produção. “O benefício está sendo muito discutido, os produtores perguntam se vale a pena o investimento”, diz o especialista. “Se tivéssemos muda resistente ao glifosato ou à seca, a viabilidade de compra e o interesse seriam bem maiores”, diz ele.

 

3 – Janela de plantio

A janela de plantio da cana é complexa e varia de acordo com a região produtora. Além disso, é possível plantar em três épocas distintas: a cana de ano e meio, a cana de inverno ou a cana de ano. Para o plantio da cana de ano e meio na região Centro-Sul, onde as chuvas são mais concentradas entre novembro e abril, o momento ideal para plantar cana seria nos meses de março e abril.

O produtor que investe em fertirrigação com vinhaça pode optar pela época de plantio da cana de outono/inverno, realizando o plantio entre maio e julho. Já a cana de ano seria indicada apenas em casos específicos. “O plantio de ano, que seria em novembro e dezembro, só funciona em solos extremamente férteis. Fora isso, vale a pena produzir muda”, diz Fernandes.

A época ideal de plantio deveria ser seguida à risca para explorar o máximo potencial produtivo da cana. Porém, o que ocorre na prática é que boa parte dos produtores não consegue cumprir a janela ideal de plantio. Há limitações de mão de obra ou maquinário agrícola disponível que geram uma antecipação ou atraso das operações de campo.

 

4 – Distribuição e enterrio

O setor também tem dificuldade para estabelecer a quantidade ideal de gemas por metro durante o plantio. “O grande problema da cana-de-açúcar é que muitos canaviais são desuniformes. Existe uma grande falha no setor para definir um número de gemas por metro”, diz Fernandes. Nesse caso, o importante é se preocupar com uma boa distribuição e em conformidade com a muda escolhida. “Às vezes, plantar 2 gemas de MPB por metro traz uma produtividade de 140 toneladas por hectare”, diz Fernandes. Em outros casos, segundo ele, o produtor pode plantar 20 gemas por metro e produzir 100 toneladas de cana por hectare. A disparidade nos resultados nesse caso ocorre porque a tecnologia embarcada nas mudas pré-brotadas garante maior produtividade. “A qualidade da muda é o principal, o problema é que o produtor brasileiro ainda não enxerga isso”, diz Fernandes.

Para evitar falhas de plantio, a forte recomendação é tampar o sulco adequadamente. “Quando a ‘tampação’ é mal feita, isso interfere demais na velocidade de brotação”, diz Fernandes. Ele também recomenda uma adubação de ponta, utilizando micronutrientes no sulco e inseticidas. “Recomendo uma adubação pesada para manter um vigor na saída desse canavial. O próximo passo é a aplicação de herbicidas em até 7 dias, deixando o canavial no limpo”, diz Fernandes.

 

5 – Replantio

Durante a colheita, é possível que as máquinas arranquem as touceiras, gerando falhas no canavial. Mas quando a lavoura se mantém produtiva, nesse caso vale a pena investir em replantio das áreas com falhas no canavial. Michel Fernandes alerta, no entanto, que esse processo é muito complexo, precisa ser realizado em período de clima úmido e requer ajuda especializada. “Temos que preparar bem a área porque ela ficou compactada após colheitas em muitos anos e fazer o canavial brotar”, diz o especialista. Os produtores que desejam receber o auxílio do especialista para o manejo da cana podem resgatar a consultoria de Michel Fernandes por pontos na Rede AgroServices, confira a oferta aqui.

Mitos do Agro: Cana-de-açúcar prejudica a qualidade do solo?

Juntos vamos desvendar os mitos do agro e desenvolver o agronegócio. Nesse vídeo, o consultor especialista em cana-de-açúcar Michel Fernandes fala um pouco sobre o cultivo de cana-de-açúcar, é verdade que prejudica a qualidade do solo? Assista o vídeo e quebre os mitos da sua lavoura! Conheça a página do Michel Fernandes: http://bit.ly/RedeAMichelFernandes

Compartilhe!

COPYRIGHT © REDE AGRO S.A - Última atualização: 09/09/2019 (1.0.3225)